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Pessoas dando as mãos uma a outra.

A construção de um futuro mais consciente e de uma sociedade na qual somos parte de um todo é permeada de diversos conceitos e práticas que viabilizam nossa transição. Dentre eles, a compreensão de o que é economia colaborativa nos leva a uma pauta importante: o consumo e sua relação com o estilo de vida e a cultura regenerativa.

Em tese, economia colaborativa é o nome atribuído a serviços ou produtos cujo acesso é feito, principalmente, por compartilhamento ao invés da aquisição, como a sociedade geralmente estabelece. É comum encontrar variações para o conceito, também chamado de consumo colaborativo e de economia do compartilhamento.

Esse termo readapta o mercado de trabalho e os modelos de negócios pensando em uma nova forma de criar as relações econômicas fugindo do tradicional, que acontece pela troca monetária. 

É uma forma encontrada por certas organizações para evitar o desperdício, a degradação de recursos naturais e o alto número de acúmulo de bens, prezando por plataformas de compartilhamento em que serviços e produtos são utilizados com qualidade e de forma justa.

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Como a economia colaborativa funciona?

O consumo colaborativo é facilmente aplicado em diversas esferas da vida cotidiana. Ele pode acontecer na forma de aluguel partilhado, de trocas, de empréstimos e até de doações. A ideia é ter mais consciência no consumo de determinado produto e escolher formas alternativas ao invés de simplesmente comprar.

Para exemplificar o caso, podemos traçar um paralelo simples com uma furadeira. Tendo em mente que não é um eletrodoméstico usado com frequência, alugar uma com o vizinho ou pegar emprestada com alguém é uma forma de viver a economia colaborativa no cotidiano.

Brechós em que você pode levar roupas que já não usa mais e trocar por outras também são um exemplo prático da economia do compartilhamento. Outro grande exemplo está em campanhas de financiamento coletivo, que angariam pessoas para colaborar em prol de determinado projeto.

O consumo colaborativo no Brasil já é uma realidade, apesar de ainda não ser explorado em suas versões mais amplas. Um dos exemplos polêmicos que temos são os aplicativos como Uber e Airbnb que, apesar de estimularem o compartilhamento, a maior parte da lucratividade fica concentrada em poucas pessoas.

Pessoa colhendo legumes de horta comunitária.
Geralmente encontradas em bairros, as hortas comunitárias são um exemplo de economia colaborativa funcionando na prática.

No entanto, podemos encontrar, por exemplo, hortas comunitárias e alguns prédios que disponibilizam bicicletas para uso dos condôminos e, assim, trabalham a economia colaborativa de forma ampla: evitando aquisições e estimulando o uso de meios de transporte benéficos ao ecossistema, afinal, o conceito se relaciona diretamente com o consumo desenfreado e o quão prejudicial ele é para o planeta.

Entender o funcionamento da economia do compartilhamento é falar, também, sobre as três principais aplicações do conceito. 

Nicho de reaproveitamento

Esta aplicação se relaciona com a redução do desperdício e visa passar adiante itens que estão em boas condições e que podem ser utilizados por outras pessoas enquanto, para você, já não possuem mais serventia ou caíram no desuso.

Habilidades compartilhadas

A habilidade compartilhada é uma forma de trabalhar o consumo colaborativo quando a pessoa consegue fazer algo, como pintar um quadro, e, ao invés de vendê-lo, troca por outro serviço. 

No entanto, as habilidades compartilhadas não se restringem ao ramo da arte e esta troca econômica pode ser estabelecida com outras áreas, como terapias, atividades técnicas, didáticas, entre outras.

Mercado de produtos e de serviços

Esta aplicação é bastante comum e consiste no compartilhamento de um bem ou de um serviço, como um carro, uma bicicleta ou até uma máquina de lavar calçadas. 

Quais os benefícios da economia colaborativa?

O principal benefício da economia colaborativa está ligado à diminuição da extração dos recursos naturais e ao estímulo das conexões individuais. Estes efeitos positivos desencadeiam outros e, assim, começa uma teia benigna e que demonstra a força de toda a sociedade em fazer mudanças.

Imagem com fundo verde e frase "Tudo que você precisa é de menos" estampada.
Por meio da economia colaborativa, conseguimos repensar ações de consumo e impactos sociais.

A indústria e sua produção em larga escala são um dos maiores poluentes do planeta atualmente. Logo, ao optar por serviços e produtos oferecidos com base na troca diferenciada ou no aluguel compartilhado, você afeta esse sistema.

O consumo colaborativo também diminui o acúmulo de bens que nem sempre são úteis ou tão necessários. Dessa forma, você reduz o gasto que teria, ajuda uma pessoa que fornece o serviço e cultiva o hábito do compartilhamento.

Ao final, essas ações reformulam os costumes e as formas de fazermos trocas, e influencia nossa vida pessoal, nossa bolha de convivência e a sociedade como um todo.

A relação entre economia colaborativa e cultura regenerativa

O consumo colaborativo e a regeneração são dois conceitos diferentes que estão bastante próximos. Entendendo cultura regenerativa como uma série de ações e de pensamentos que, unidos, constroem um novo mundo, em que a noção de que somos Natureza é a base, o cuidado com os ecossistemas e a economia do compartilhamento são possíveis e necessárias.

Diminuindo o consumo desenfreado, usufruindo de serviços e produtos compartilhados, trocando ou doando e evitando o acúmulo de bens, conseguimos afetar diretamente o funcionamento da sociedade e sua relação com o meio ambiente.

A economia colaborativa é uma das formas, portanto, de estimular a regeneração social partindo de escolhas individuais e que causam impactos coletivos.

Como aplicar a economia colaborativa na sua vida?

A aplicação da economia colaborativa na vida cotidiana começa com a mudança da mentalidade relacionada à forma como estabelecemos relações econômicas.

Mulher empurrando bicicleta com compras na cesta traseira.
Repensar as relações de consumo é importante para a economia colaborativa. Ações simples, como usar a bicicleta do condomínio para ir ao trabalho, causam impactos.

Pensar que nem toda compra precisa ser paga em dinheiro e buscar empresas e profissionais que criam negócios com base na troca é um bom começo. Observe em seu bairro ou comunidade em que mora se há pessoas que poderiam realizar o que você precisa em troca de um serviço que você possa oferecer.

Mudar os hábitos de consumo também é bastante importante. Estamos acostumados a comprar itens que pensamos precisar e que, às vezes, são utilizados em pouquíssimas oportunidades. Quando for adquirir um produto, faça  as perguntas abaixo, que podem te ajudar a entender se sua escolha é uma necessidade ou um impulso.

Estes pontos foram levantados pelo Instituto Akatu, uma organização focada na diminuição do consumo como o conhecemos, e visam levar à reflexão sobre a “vida útil” de nossas compras.

1. Por que estou comprando?

A ideia desta questão é nos fazer refletir sobre as razões para fazer determinada compra. Fazer uma lista reunindo prós e contras por trás de cada impulso de consumo é uma boa forma de entender até que ponto há a necessidade de adquirir determinado item.

2. O que irei comprar?

Uma vez que você entendeu o motivo pelo qual você está propenso a comprar algo, é hora de analisar as opções que estão disponíveis no mercado, pensando na qualidade, no tempo de vida útil e no custo-benefício por trás das possibilidades.

3. Como irei comprar?

Mulher carregando suas compras em uma sacola ecológica de pano.
Escolher por transportar as compras em ecobags é uma das práticas positivas que vem junto à consciência de consumo.

A partir desta pergunta, alguns preceitos da economia colaborativa começam a aparecer, visto que surge a oportunidade de escolher se o pagamento será em dinheiro, por troca de serviços ou se é possível compartilhá-lo, por exemplo. Além disso, segundo o Instituto, deve-se levar em consideração a forma como o que foi adquirido será transportado até sua casa, por exemplo, usando ou não sacos plásticos.

4. De quem irei comprar?

Analisar quem fabrica o que você irá comprar é fundamental para manter hábitos de consumo saudáveis e ligados com preceitos da economia colaborativa. Neste ponto, é possível dar espaço para profissionais e organizações adeptos das filosofias do compartilhamento, como negócios sociais e cooperativas.

5. Como vou usar o que foi comprado?

Esta questão já está relacionada com a pós-compra e faz com que pensemos a dinâmica de vida útil do produto para evitar desperdícios e trocas frequentes. Basicamente, ela surge com o intuito de que observemos os hábitos de uso para que não seja necessário “jogar fora” muito cedo, lembrando que, quando fazemos isso, estamos na verdade gerando resíduos.

6. Como descarto o que não uso mais?

A última questão por trás do consumo consciente e que se relaciona diretamente com a economia colaborativa visa fazer com que analisemos a forma de descarte, entendendo que um item sem utilidade pode ser ressignificado em outros contextos, seja passando pela reciclagem ou pela reutilização.

Assim, tomamos atitudes pensadas e fazendo a ligação entre economia colaborativa e cultura regenerativa. Além de alterar a forma com que fazemos trocas e de nossos hábitos de consumo, existem outras possibilidades de aplicar o conceito na vida íntima.

Pessoa carregando uma caixa repleta de maçãs.
Apoiar o comércio local ao invés de consumir em grandes marcas também é uma prática da economia de compartilhamento.

Apoiar produtores e comerciantes locais é mais um exemplo de como a economia de compartilhamento pode ser expandida. Quando você escolhe comprar do pequeno negócio, auxilia na manutenção dele e fomenta a estrutura da comunidade em que vive, ao invés de contribuir para o crescimento cada vez maior de marcas que nem sempre estão comprometidas com os mesmos valores que você.

Estimular financiamentos coletivos e projetos que movimentam as pessoas com objetivos comuns são outras maneiras de criar relações econômicas pautadas na colaboração. E, claro, é preciso estudar o tema, aprofundar-se e compreender o assunto para praticá-lo com mais autoridade.

Livros sobre economia colaborativa

A literatura possibilita que tenhamos contato com novas fontes de conhecimento e, dessa maneira, conseguimos aplicar no dia a dia conceitos entendidos e assimilados em determinadas obras.

Para que você conheça mais sobre economia colaborativa e consumo consciente, separamos alguns títulos sobre o assunto lançados pela Bambual Editora.

Economia, Consciência e Abundância

Escrito por Paulo Roberto da Silva, pós-doutor em Sociologia Econômica e das Organizações pela Universidade Técnica de Lisboa, Economia, Consciência e Abundância é um livro guiado por três grandes perguntas:

  • É possível sermos abundantes em uma economia que tem como base a escassez?
  • Se formos mais conscientes em nossas escolhas econômicas, algo mudará em nossas vidas?
  • Existem outras possibilidades de realizarmos nossas trocas econômicas no cenário de crise global que vivemos?

É uma obra densa, pautada em estudos e análises importantes sobre o mundo atual e, principalmente, sobre a necessidade de caminharmos para um período de transformação visando cuidar melhor dos seres humanos e do planeta.

“A teoria econômica predominante, baseada e incentivadora da escassez, tem servido à consciência competitiva, egoísta, dominadora e agressiva. Ela foi imposta por poucos através de violência e sacrifícios. Gostaríamos que nossa proposta seguisse um caminho diferente, isto é, que ela viesse para atender aos anseios das pessoas. Para tanto, é necessário identificar as principais características da Consciência Emergente. Isso só fará sentido se os indivíduos estejam dispostos a implementar um estilo de vida cooperativo, participativo, solidário, acolhedor e pacífico. Cabe, então, a seguinte pergunta: está surgindo uma nova consciência humana na Terra?” (SILVA, 2019, p. 69 e 70)

Em 2008, Paulo participou do Café Filosófico, debatendo, já na época, questões chaves trabalhadas em seu livro. Na coleção abaixo, você confere a fala do escritor e outros vídeos presentes em seu canal, sobre a obra Economia, Consciência e Abundância.

Entre conceitos incomuns e inovadores, o autor utiliza da construção gradual dos assuntos para que o leitor compreenda o que está sendo dito de forma clara, entregando, ao final, uma verdadeira aula sobre economia e futuro.

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Economia colaborativa – Recriando significados coletivos

Este livro de economia colaborativa escrito por Felipe Cunha, mestre em Economia para Transição pela Schumacher College (UK), é um convite para entender o tema e refletir sobre os impactos que ele tem causado e causará no futuro.

Redigido sob a orientação de um dos maiores economistas da atualidade, Jonathan Dawson, o autor analisa a sociedade e as relações humanas traçando um paralelo entre a economia e o papel de todas essas esferas na criação de um futuro melhor.

Cunha não analisa apenas a economia colaborativa, como também destaca pontos de atenção para que a prática se torne corriqueira e, principalmente, justa, como direitos trabalhistas, apropriação de mercado e outras pautas importantes. Atualmente, a obra está disponível em papel e em formato digital (e-book).

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Economia de Gaia

Esta obra reúne artigos de diversos pensadores e economistas, cada um com sua bagagem individual, falando sobre temas como aquecimento global, moedas complementares, economia budista e vários outros.

Em um primeiro momento, as pautas podem parecer desassociadas. No entanto, conforme a leitura acontece, o leitor é apresentado para um traço comum: todos os escritores acreditam na economia como principal área para causar mudanças e ressignificar a existência no planeta.

A obra faz parte da coletânea 4 Keys, um projeto desenvolvido pelo Gaia Education a fim de debater sobre chaves para comunidades sustentáveis em âmbito global.

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Pensar e explorar meios práticos de construir o Novo Paradigma e um futuro em que o meio ambiente seja mais respeitado e nós, como seres humanos, tenhamos consciência que somos parte do todo é fundamental. Nesse cenário, entender o que é economia colaborativa e praticá-la é uma dessas maneiras.

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